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sexta-feira, 12 de abril de 2019

A Arte de Amar - Erich Fromm




Para ter acesso ao livro de Erich Fromm, A Arte de Amar, clique aqui.

Veja Resumo depois das capas!

Outras capas:








“Amar alguém não é apenas um sentimento forte, é uma decisão,  é um juízo, é uma promessa. Se o amor fosse apenas um sentimento, não haveria base para a promessa de amar um ao outro para sempre. Um sentimento vem e pode ir. Como posso julgar se ele vai ficar para sempre, se meu ato não envolver juízo e decisão?”
Erich Fromm

“O amor é uma arte? Então requer conhecimento e esforço.” Erich Fromm inicia o livro “A Arte de Amar” e surpreende com a nova premissa de que devemos aprender a teoria e a prática do amor para sermos sujeitos capazes de exercer a arte.
O ideal amoroso concretizado nos roteiros cinematográficos é desmistificado. Se não houver a consciência do estado de “separação do homem” e o exercício da liberdade para a prática do poder de amar dando ao outro as expressões e manifestações de que se é vivo nele, em sua alegria, compreensão, interesse, conhecimento, sem sacrificar a própria vida, o pseudo amor se esvai com os primeiros antagonismos...
O amor é desvendado como resposta para o problema da existência humana. “Só há certeza com relação ao passado; com relação ao futuro, a única certeza que existe é a da morte.” A consciência do estado de separação faz com que o homem busque a união para superar a solidão, a culpa e a ansiedade. A necessidade de se unir é observada nos mais remotos mitos como por exemplo a história de Adão e Eva.
As pessoas maduras, conscientes das próprias individualidades, devem ter cuidado, respeito, conhecimento e responsabilidade para assumirem uma relação amorosa, construírem os alicerces necessários para o compromisso de vontade e crescerem mutuamente na permanência do amor.
“O amor é o único meio de conhecimento: no ato de união ele dá resposta à minha busca. No ato de amar, de me dar, no ato de penetrar o outro, eu me encontro, eu me descubro, eu descubro a mim e ao outro, eu descubro o homem.”
O amor é desvelado em suas inúmeras formas. O amor fraterno é o amor por todos os seres humanos, o amor universal pelos iguais. O amor materno é uma afirmação incondicional da vida: duas pessoas que eram uma se separam e vivem a necessária relação simbiótica nos primeiros anos, o crescimento da criança e o amadurecimento do vínculo. O amor erótico é o anseio da plena fusão, nele ocorre o paradoxo de que dois seres se tornam um, mesmo permanecendo dois. O amor a si próprio é liberto do estigma de ser egoísta para ser a declaração de capacidade de amar. O amor a Deus é a forma religiosa do amor e também nasce da necessidade de superar o estado de separação e alcançar a união...
Fromm discorre sobre a desintegração do amor da sociedade ocidental contemporânea, a sociedade capitalista e os paliativos encontrados para a pessoa não tomar consciência de seu estado de solidão, e as psicopatologias presentes no homem moderno como os distúrbios neuróticos e as relações eivadas de sadismo e masoquismo.
“Nossa civilização oferece vários paliativos que ajudam as pessoas a não tomar consciência de sua solidão. O primeiro deles é a estrita rotina de trabalho burocratizado e mecânico, que ajuda as pessoas a permanecerem inconscientes de seus desejos humanos mais fundamentais, do anseio de transcendência e unidade.”
No capítulo sobre a prática de amar, Fromm decepciona os leitores acostumados às receitas de como fazer, afirmando que a prática do amor é uma experiência pessoal que só é possível ter para e por si mesmo.
“O que importa em relação ao amor é a fé em nosso próprio amor, na capacidade que este tem de produzir amor nos outros e na confiabilidade desse amor.”
Ser capaz de amar é ter a coragem de assumir riscos e empreender a única maneira saudável de responder ao problema de existência humana. Acreditar na possibilidade do amor, também como fenômeno social, é a fé racional baseada na compreensão da natureza verdadeira do homem.


Helena Sut
 

Resenha de "A Arte de Amar", de Erich Fromm





RESENHA: A ARTE DE AMAR - ERICH FROMM

Ben Oliveira

Escrito em 1956, pelo psicanalista alemão, filósofo e sociólogo Erich FrommA arte de Amar (The Art of Loving) aborda um dos temas que sempre despertou interesse nas pessoas, o amor. O livro não é um guia, como muitos podem imaginar pelo nome, muito menos auto-ajuda, apesar de proporcionar o auto-conhecimento. O psicanalista considera o amor uma arte, pois acredita na importância de conhecer sua teoria e prática.

Como toda arte, Erich Fromm argumenta que o amor precisa ser trabalhado, exigindo prática e concentração, além de maturidade, desenvolvimento de personalidade, capacidade de amar ao próximo, humildade, coragem, fé e disciplina. Diferente do que se acredita, o psicanalista ressalta que o amor não é obra do acaso, sorte ou uma simples sensação agradável.

“O amor é a única resposta sadia e satisfatória para o problema da existência humana”, comenta Erich Fromm. Segundo o autor, existem diferentes tipos de amor, como o amor romântico, o amor fraternal, amor de pais, amor erótico, amor próprio e amor de Deus, e todos eles ajudam de alguma forma o ser humano a lidar com a separação e solidão.

Fromm também analisa o amor nos tempos atuais, comparando-o à necessidade de consumo e busca pelo atraente física ou mentalmente – fator que muda de acordo com a moda da época. De acordo com o psicanalista, o que existe é uma relação de troca, na qual duas se pessoas se apaixonam ao sentirem que encontraram o que estava de melhor disponível no mercado. Logo, o amor segue o mesmo padrão dos mercados de utilidade e de trabalho.

O autor fala sobre a diferença entre paixão (cair em amor) e amor (permanecer amando). No primeiro caso, as pessoas se tornam íntimas e a partir do momento em que se conhecem melhor, acontece a morte da excitação inicial. “Dificilmente haverá qualquer atividade e que, contudo, fracasse com tanta regularidade, quanto o amor”, analisa Erich Fromm.

Como o homem não consegue desistir do amor, o psicanalista recomenda que o mesmo passe a entendê-lo e descobrir as razões que levaram ao fim.

Erich Fromm comenta sobre a necessidade do homem de realizar a união com outras pessoas, como uma tentativa de fugir da loucura (pânico do isolamento), transcender a própria vida individual e encontrar sintonia.

O psicanalista comenta diversas maneiras paliativas de fugir dessa separação, como os estados orgíacos (estado transitório de exaltação, na qual o mundo externo desaparece – drogas, transe, orgasmo sexual), união com grupos (obtendo a sensação de pertencer e se salvar da solidão), as rotinas e atividades pré-fabricadas e a atividade criadora (o homem cria algo representando o mundo exterior). Todavia, Erich Fromm explica que o amor ainda é a resposta completa para o problema da existência.

“Sem amor, a humanidade não poderia existir um dia”, justifica Erich Fromm. Para o psicanalista, o  homem precisa se conectar com outras pessoas e este fracasso pode significar a loucura e destruição de si mesmo e dos outros.

De acordo com Erich Fromm, o amor pode ser visto de duas formas: uma união simbiótica, por exemplo, como a necessidade que um bebê tem da sua mãe, e vice-versa, ou psíquica, onde mesmo estando em corpos independentes, eles estão ligados psicologicamente; e o amor amadurecido, na qual mesmo unidos, as pessoas preservam suas integridades próprias.

“No amor, ocorre o paradoxo de que dois seres sejam um, e, contudo, permaneçam dois”, define Erich Fromm. Para o psicanalista, o amor ainda é visto como uma atividade, e não um afeto passivo.

Existe uma maneira produtiva e uma não-produtiva de enxergar o amor. Segundo Fromm, algumas pessoas veem o amor como um sacrifício, um abandono e se recusam a dá-lo, enquanto outras enxergam como algo que é melhor dar do que receber, uma experiência elevada e que sua ausência seria dolorosa.

Psicologicamente, Fromm acredita que quem tem medo de perder alguma coisa é pobre; e quem é capaz de dar de si é rico. As pessoas dão vida sem se sacrificarem, alegria, interesse, compreensão, conhecimento, humor e até mesmo tristeza. “Dar implica fazer da outra pessoa também um doador e ambos compartilhar da alegria de haver trazido algo à vida”, ensina.

Cuidado e responsabilidade são necessários para que o relacionamento amoroso dê certo. Se preocupar com o outro, não tratá-lo como objeto e saber deixá-lo livre são alguns dos pontos levantados.

Os diferentes tipos de amor são abordados, como o amor de mãe (passivo, incondicional); amor paterno (condicional, deve ser merecido); amor fraterno (entre iguais); amor erótico (anseio de fusão completa, união com outra pessoa); amor próprio (diferente do egoísmo) e o amor de Deus.

Para o relacionamento amoroso funcionar, Fromm fala que o amor erótico deve vir acompanhado do amor fraterno, caso contrário será algo transitório. Ainda segundo o psicanalista, mesmo que haja uma união, ela é ilusória.

O homem moderno também é um dos motivos pelos quais é tão difícil encontrar o amor nos dias de hoje, pois, para Fromm, ele é “alienado de si mesmo, de seus semelhantes e da natureza”. As pessoas tentam ser próximas, mas no fundo são inseguras, ansiosas e se culpam por não conseguirem. “Ele vive no passado ou no futuro, mas não no presente”, Erich Fromm caracteriza o homem moderno.

Com o sistema capitalista, segundo o psicanalista, o amor é cada vez mais exceção, e, portanto, é preciso fazer algo para mudar isto. “O amor só é possível se duas pessoas se comunicam mutuamente a partir do centro de suas existências e, portanto, se cada uma o experimenta a partir do centro de sua própria experiência”, argumenta.

Até o amor de Deus foi transformado nos dias atuais. Para Erich Fromm, Deus é visto como um “parceiro de negócios”, um meio para aumentar a capacidade de obter sucesso.

Para finalizar este texto, acredito na importância de livros, como a Arte de Amar, para o entendimento de si mesmo e do outro, já que ambos os fatores estão relacionados. E segundo Erich Fromm, é ilusão imaginar que o amor não existe conflitos – ele é um desafio constante, porém possibilita crescer e o trabalho em equipe. “Amar é uma experiência pessoal que cada qual só pode ter por si e para si”, com esta frase do Erich Fromm, concluo com o pensamento do psicanalista de que para amar o outro é preciso antes amar a si mesmo e vice-versa.

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Publicado originalmente em:
http://www.benoliveira.com/2013/02/resenha-arte-de-amar-erich-fromm.html